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Projeto em Paudalho dá visibilidade a artistas trans da Zona da Mata por meio de documentário


Projeto em Paudalho dá visibilidade a artistas trans da Zona da Mata por meio de documentário

Um projeto audiovisual desenvolvido em Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco, está reunindo histórias e trajetórias de artistas trans da região. Intitulada “Corpos que Contam Histórias”, a produção tem como proposta registrar experiências pessoais e artísticas, além de abordar os desafios enfrentados pelas participantes ao longo de suas trajetórias.

Conduzido pela artista e produtora cultural Rapha Lima, mulher trans, negra e periférica e reconhecida como Mestra dos Saberes Tradicionais da Cultura Popular, o projeto é formado por cinco episódios, com aproximadamente 15 minutos cada.

Em cada episódio, Rapha visita a residência ou o espaço de criação de uma artista trans da Zona da Mata pernambucana. Os encontros abordam aspectos das trajetórias das participantes, seus processos criativos, experiências de preconceito e formas de resistência, além da relação de cada uma com diferentes linguagens artísticas, como dança, música, pintura e teatro.

A proposta também busca ampliar a presença de artistas trans nas narrativas sobre a cultura pernambucana, apresentando as participantes a partir de suas produções e experiências, e não apenas das situações de discriminação vivenciadas.

À frente da iniciativa, Rapha Lima possui uma trajetória de mais de 15 anos ligada à cultura popular em Pernambuco. Ela iniciou sua participação em atividades culturais ainda na infância, após se mudar com a família para Paudalho, e teve contato inicialmente com as quadrilhas juninas.

Ao longo da carreira, participou de grupos como Mastruz com Leite, Rosa Linda Linda Rosa e Flor de Mamulengo. Também atuou na dança e no teatro, como coreógrafa e bailarina, integrando a Cia de Dança Raízes da Mastruz e o Balé Popular do Recife, além dos grupos teatrais Perna de Palco e Paranãmpuco.

Sua atuação também inclui participação em desfiles cívicos e carnavalescos de Paudalho, além da realização de oficinas, projetos culturais e ações educativas.

Entre as iniciativas coordenadas por Rapha estão “Patrimônios e Ritmos: construções históricas e a resistência dos ritmos na Mata Norte”, com apoio do FUNCULTURA; “Memória Viva, um traço de fé”, aprovado pela Lei Aldir Blanc; e “Guabiraba Corpo Doce” e “Conto Contado”, realizados por meio da Lei Paulo Gustavo.

A produtora também desenvolveu, com recursos próprios, projetos como “Frevos de Pernambuco”, “Escola Itinerante de Elaboração de Projetos Culturais” e “Escola Itinerante de Danças Populares do Nordeste”.

Outra frente do trabalho envolve ações de formação cultural. Por meio de atividades como “Brincantes nas Escolas”, realizada pela Cia de Dança Raízes da Mastruz, e iniciativas em instituições de ensino, entre elas a Escola Salesianos, em Carpina, o trabalho busca aproximar crianças e jovens das manifestações populares nordestinas.

De acordo com a proposta apresentada, essas ações também contribuem para a formação de novos públicos e para a criação de oportunidades de participação cultural, envolvendo artistas, produtores, costureiros, artesãos, técnicos e outros profissionais ligados ao setor.

Rapha Lima é reconhecida como Mestra dos Saberes Tradicionais da Cultura Popular e Técnica da Cultura e das Artes em nível estadual. Ela também recebeu o prêmio Melhor do Ano Realiza 2023.

O projeto “Corpos que Contam Histórias” foi desenvolvido em Paudalho e tem foco na valorização da cultura pernambucana e na visibilidade de artistas trans da Zona da Mata. A iniciativa integra o Edital Multilinguagens nº 18/2025 – SECULT/PE – PNAB Ciclo II.

A produção propõe, por meio do audiovisual, registrar diferentes trajetórias dentro da cultura popular e ampliar o espaço para que artistas trans apresentem suas próprias histórias, experiências e produções.


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